Associação Americana de Cardiologia Atualiza Diretrizes em 2025
2 de dezembro de 2025
A Associação Americana de Cardiologia (AHA) acaba de divulgar suas novas diretrizes de primeiros socorros, reanimação cardiopulmonar (RCP) e emergências cardiovasculares, trazendo mudanças importantes no atendimento a vítimas de obstrução de via aérea por corpo estranho (OVACE). Publicadas na revista científica Circulation, as orientações substituem as de 2020 e passam a valer como referência internacional para cursos e treinamentos da área. A atualização altera a forma de agir em casos de obstrução das vias aéreas por sólidos em bebês, crianças e adultos conscientes, com foco nos primeiros dez segundos, apontados como decisivos para a sobrevivência. A Associação Americana de Cardiologia também é responsável por credenciar núcleos de certificação em atendimento de urgência, reconhecidos internacionalmente. A FACERES possui um desses núcleos e é a única faculdade de medicina brasileira a incluir as certificações oficiais da AHA em sua matriz curricular, formando médicos com habilitação internacional nesse tipo de atendimento. Segundo a pediatra emergencista, professora da Faculdade de Medicina FACERES, e instrutora da AHA, Dra. Maria Carolina De Conti Coelho, a principal mudança está na recomendação de alternar cinco pancadas firmes nas costas com cinco compressões abdominais para crianças e adultos, e torácicas para bebês menores de 1 ano. “Até então, o protocolo orientava apenas compressões abdominais para crianças e adultos, a já conhecida manobra de Heimlich. A atualização consolida décadas de estudos e retorna às evidências que mostram que os golpes nas costas ajudam a deslocar o corpo estranho antes mesmo das compressões”, explica. Para bebês menores de 1 ano, a técnica das compressões torácicas também mudou. A AHA reforça que a obstrução das vias aéreas é uma das emergências mais comuns, especialmente entre crianças. Nos Estados Unidos, quase 40% das paradas cardíacas pediátricas fora do ambiente hospitalar têm origem respiratória ou por asfixia. O que muda para os bebês menores de 1 ano: Para essa faixa etária, com OVACE grave, a manobra exige a alternância entre cinco golpes nas costas e cinco compressões no peito, realizadas, agora, com a base da palma da mão. Compressões abdominais não são recomendadas para bebês, devido ao potencial de causar lesões nos órgãos abdominais. O objetivo é aumentar a eficácia, reduzir riscos e tornar o procedimento mais seguro até a chegada do serviço de emergência, como o Samu (192).Passo a passo para bebês (até 1 ano) Verifique se o bebê realmente está engasgado — incapaz de tossir, chorar ou respirar e ainda consciente. Chame por ajuda Apoie-o de bruços no antebraço, com a cabeça mais baixa que o corpo. Aplique cinco golpes firmes entre as escápulas, usando a base da mão. Apoie o outro antebraço sobre o bebê e vire-o de barriga para cima. Faça cinco compressões torácicas no centro do peito, usando a base da mão. Alterne os movimentos até que o objeto seja expelido ou o bebê perca a consciência. Não tente retirar o objeto com os dedos se ele não estiver visível. Se houver perda de consciência, inicie a RCP com 30 compressões e 2 ventilações.