População Negra Sofre Mais com Doenças Crônicas e Adversidades na Vida Explicam Parte Desse Adoecimento
14 de novembro de 2024
3ª Jornada da Saúde da População Negra será realizada no bairro Santa Clara A população negra brasileira, historicamente marginalizada e submetida a desigualdades sociais, enfrenta um fardo desproporcional de doenças crônicas. Diabetes, hipertensão, doenças renais e obesidade são apenas algumas das condições que acometem com maior frequência essa parcela da população. As raízes desse problema são profundas e complexas, englobando fatores históricos, sociais e econômicos que resultam em um acesso desigual a serviços de saúde, alimentação adequada e condições de vida dignas. A 3ª Jornada da Saúde da População Negra busca dar visibilidade a essa questão e promover ações concretas para melhorar a saúde da comunidade negra em São José do Rio Preto. O Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa-Brasil) revelou dados alarmantes sobre a saúde da população negra: mulheres negras são as mais acometidas por doenças crônicas e homens negros apresentam as maiores taxas de mortalidade. A multimorbidade, ou seja, a presença de múltiplas doenças crônicas em um mesmo indivíduo, é ainda mais prevalente entre os negros, agravando o quadro clínico e dificultando o tratamento. Organizado pela faculdade de Medicina FACERES, em parceria com o coletivo antirracista da instituição e a ONG “Meninas do Bem”, será realizada a 3ª Jornada da Saúde da População Negra, no dia 18 de novembro, das 18h às 20h30, na escola E.M.Profª Regina Mallouk, no bairro Santa Clara, em São José do Rio Preto. O evento gratuito e aberto ao público contará com a presença de alunos de medicina e da médica Dra. Daiane Cassaro, que realizará uma palestra sobre saúde, cuidados e bem-estar. Além da palestra, haverá atendimentos ao público com aferição de pressão arterial, medição de glicemia e orientações gerais sobre cuidados com a saúde. O professor Araré Carvalho, docente do eixo Ética e Humanidades e organizador do evento, destaca a relevância desse encontro. “O evento sai dos muros da faculdade para estar mais próximo da comunidade local, refletindo o compromisso da FACERES em promover e reconhecer a cultura negra”. Araré destaca ainda a importância que o futuro médico participe e entenda as demandas da população negra e suas peculiaridades. Para a edição deste ano, o evento contou com a colaboração ativa de representantes da sociedade civil organizada, destacando uma construção coletiva que visa atender de forma mais eficaz as necessidades da população. Essa aproximação reflete a visão de extensão comunitária, que busca romper com modelos hierárquicos e agir em diálogo com a comunidade.