Do bacamarte ao coco de roda: Nordeste leva 19 grupos de oito estados ao 62º FEFOL
Dos engenhos do Vale do Cotinguiba aos terreiros de Maceió, a região reúne em Olímpia uma das maiores e mais diversas delegações da edição, com cinco grupos estreantes
Olímpia, 23 de junho de 2026- O Nordeste chega à 62ª edição do Festival do Folclore de Olímpia (FEFOL) com uma das presenças mais expressivas e diversas de toda a programação. São 19 grupos vindos de oito estados do Nordeste: Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Piauí, Maranhão, Alagoas e Sergipe, que levam ao Recinto do Folclore “Professor José Sant’anna” um panorama vivo da cultura popular nordestina. Marcadas pelas influências indígenas, africanas e europeias, as manifestações incluem reisado, coco de roda, bumba meu boi, caboclinho, congos, pastoril, ciranda e bacamarteiros. Cinco grupos estreiam no festival, que acontece de 1º a 9 de agosto, com entrada gratuita.
Sergipe
Com cinco grupos, Sergipe é o estado mais representado da região e o terceiro de toda a edição do festival herunterladen. Entre os destaques está o Grupo Folclórico Batalhão de Bacamarteiros, de Carmópolis, nascido no Povoado de Aguada. Segundo o relato dos mais antigos, a manifestação surgiu por volta de 1780 nos engenhos de cana-de-açúcar do Vale do Cotinguiba, por iniciativa de pessoas escravizadas. Há mais de dois séculos, a tradição atravessa gerações por meio de seu cancioneiro de improviso, da dança e dos tradicionais tiros de bacamarte. O ponto alto é o ritual do Pisa Pólvora, realizado durante as festas juninas em homenagem aos santos do mês. Em 2016, o grupo recebeu o título de Patrimônio Imaterial do Estado de Sergipe.
Também sergipano, o Reisado Baile Estrela, de Moita Bonita, nasceu de um trabalho de resgate cultural conduzido pelo Mestre José Roberto Santana Santos scratch 1.4 kostenlosen. No grupo, ele interpreta o personagem Mateus, figura central da brincadeira responsável por conduzir a narrativa e interagir com o público. Fundado em 2007, inspirado nas cantigas aprendidas com a avó, Dona Porfíria, o Baile Estrela acumula mais de 18 anos de trajetória e participações em eventos como o Encontro Cultural de Laranjeiras.
Completam a representação sergipana o Grupo Folclórico Parafusos e o Grupo Folclórico Ciranda de Roda, ambos de Lagarto, além dos Bacamarteiros Cangaceiros de Lampião, de Capela, estreantes no FEFOL. Com origem ligada à resistência de pessoas escravizadas e mais de um século de história, o Parafusos é reconhecido como Patrimônio Cultural de Lagarto e de Sergipe, enquanto a Ciranda de Roda preserva uma tradição associada ao ciclo do milho e às festas juninas. Já os Cangaceiros de Lampião, fundados em 2022, unem a tradição dos bacamarteiros à estética do cangaço nordestino e reúnem integrantes de diversas cidades sergipanas em torno da preservação dessa manifestação cultural herunterladen.
Rio Grande do Norte
O Rio Grande do Norte participa com quatro grupos. De São Gonçalo do Amarante vem o Grupo Parafolclórico Coco do Calemba, fundado em 1999 sob a coordenação da professora e pesquisadora Ivani Machado. Após um período de interrupção, o trabalho foi retomado em 2009 pelo Mestre Victor D’melo, com foco na preservação do coco de roda. Em 2025, o grupo estreou no FEFOL e foi reconhecido como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura.
Também de São Gonçalo do Amarante, o Grupo Folclórico Pastoril Dona Joaquina nasceu de uma tradição familiar iniciada em 1916 e preserva um legado centenário que atravessa cinco gerações. Reconhecido como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial do município e certificado como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura, o grupo tem uma característica rara: apresenta, ao longo de todo o ano, tanto a versão religiosa quanto a profana do pastoril wie kann man songs auf spotify herunterladen.
Do município de Major Sales chegam os Caboclos de Major Sales – Malhação de Judas, manifestação de matriz indígena mantida desde 1924 e reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do estado. A tradição é tão marcante que rendeu ao município o título de “Terra Cabocla”.
Também de Major Sales vem o Caboclos e Rei de Congo do Mestre Bebé, uma das mais importantes manifestações da cultura popular do Alto Oeste Potiguar. Liderado por Francisco de Assis Silva, o grupo mantém viva uma tradição transmitida entre gerações por meio da dança, da música e dos figurinos que marcam a identidade da comunidade.
Alagoas
Com quatro grupos confirmados, Alagoas leva ao FEFOL algumas das manifestações mais tradicionais de sua cultura popular maze runner 3 herunterladen. O destaque é o Bumba Meu Boi Águia de Ouro, de Maceió, que estreia no festival após mais de quatro décadas de história e quase três décadas de participação no Festival de Bumba Meu Boi da capital alagoana. Formado por homens, mulheres e crianças da própria comunidade, o grupo desenvolve um trabalho contínuo de valorização do bumba meu boi por meio da dança, da música, do teatro e das artes populares.
A delegação conta ainda com o Coco de Roda Alagoano Evolução, que também estreia no festival e há cinco anos atua na preservação e valorização da cultura do coco em Maceió, promovendo apresentações e atividades voltadas à transmissão dessa tradição para as novas gerações. Também participam o Grupo Folclórico Cultural Coco de Roda Babaçu, criado no bairro do Jacintinho e reconhecido pelo trabalho de difusão do coco de roda por meio de oficinas e ações culturais, e o Grupo Parafolclórico Flor da Serra, de Chã Preta, formado por jovens que mantêm viva a tradição dos folguedos e danças populares alagoanas polar herunterladen.
Paraíba
A Paraíba será representada pela Companhia de Projeções Folclóricas Raízes, de Campina Grande, que celebra 30 anos de atuação. Reconhecida como Ponto de Cultura e entidade de utilidade pública, a companhia desenvolve pesquisas e espetáculos inspirados nas manifestações populares nordestinas e já levou a cultura paraibana a festivais na França e na Bélgica. Seu repertório reúne expressões como xaxado, coco de roda, ciranda, danças afro-brasileiras e referências ao universo do cangaço.
Ceará
O Ceará chega ao festival com o Grupo Miraira, de Fortaleza, que faz sua estreia no FEFOL. Criado em 1982 no então Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará, atual Instituto Federal do Ceará (IFCE), o coletivo reúne há mais de quatro décadas dança, música, teatro e poesia em torno das tradições populares bild aus internet herunterladen. Hoje, é reconhecido como uma das principais iniciativas de pesquisa, formação e difusão da cultura popular cearense.
Pernambuco
A tradição dos folguedos pernambucanos estará representada pelo Caboclinho Canidé, de Goiana. Fundado em 1971, o grupo é um dos mais antigos ainda em atividade no município e desempenha papel fundamental na preservação das tradições ligadas aos caboclinhos, expressão cultural marcada pela dança, musicalidade e referências indígenas. Em 2023, recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, reconhecimento concedido a mestres e grupos responsáveis pela preservação da cultura popular do estado.
Piauí
Do Piauí vêm os Congos de Oeiras, manifestação ligada à religiosidade popular e às heranças afro-brasileiras app for music. Com raízes nas celebrações realizadas por pessoas escravizadas em homenagem aos seus santos de devoção, o grupo preserva uma tradição fortalecida desde a década de 1980 e transmitida entre gerações da mesma comunidade.
Maranhão
O Maranhão marca presença com dois grupos de São Luís. O Boi Encanto do São Cristóvão, estreante no festival, foi criado em 2003 com a missão de preservar o sotaque de orquestra do bumba meu boi maranhense. Suas apresentações unem música, teatro, dança e o tradicional auto do boi, além de destacar o trabalho artesanal presente nos bordados e nas indumentárias.
Já o Grupo de Cultura Popular do Maranhão Boi de Palha, fundado em 1991, é um dos representantes mais tradicionais da manifestação sütterlin schriften. Presença constante em festivais dentro e fora do estado, o grupo participa do FEFOL desde 1998, levando ao público uma das expressões culturais mais emblemáticas do Maranhão e do Brasil.
Juntas, as delegações nordestinas transformam o palco do FEFOL em um retrato da diversidade cultural brasileira. Das rodas de coco aos cortejos de boi, dos caboclos aos bacamarteiros, cada apresentação carrega histórias, memórias e modos de vida preservados por gerações, formando um dos mosaicos culturais mais ricos desta edição.
“O Nordeste é uma das almas mais pulsantes da cultura popular brasileira, e recebê-lo com tantos grupos e tantas tradições diferentes é um privilégio. Cada um deles carrega a memória viva de uma comunidade, e é esse cuidado com a origem que faz o FEFOL perdurar por mais de seis décadas”, afirma Priscila Foresti, secretária de Cultura e Defesa do Folclore de Olímpia wie spotify premium herunterladen.
“Quando o Nordeste sobe ao palco do FEFOL, é o Brasil inteiro que se reconhece nessa diversidade. O festival movimenta Olímpia cultural e economicamente e reafirma a cidade como ponto de encontro das tradições de todas as regiões do país”, destaca o prefeito Geninho Zuliani.
62º Festival do Folclore de Olímpia (FEFOL)
Datas: 1º a 9 de agosto de 2026
Local: Recinto do Folclore “Professor José Sant’anna” — Av. Menina Moça, 800 — Olímpia/SP
Entrada gratuita
Canais oficiais: linktr.ee/folcloreolimpia
Sobre o 62º FEFOL
Sob o tema “Aquele Abraço”, o 62º Festival do Folclore de Olímpia acontece de 1º a 9 de agosto de 2026, no Recinto do Folclore “Professor José Sant’anna”, com entrada gratuita. A edição celebra o Jubileu de Alecrim e reúne mais de 70 grupos no elenco confirmado: mais de 50 vêm de 21 estados das cinco regiões do Brasil e outros 20 são de Olímpia, que segue como protagonista da própria festa. Desse conjunto, 17 estreiam no festival. Nos nove dias, são mais de 130 apresentações noturnas e cerca de 50 participações diurnas em escolas, ruas, comércio e espaços públicos, envolvendo cerca de 2.800 artistas, músicos e coordenadores. A organização estima receber 180 mil visitantes ao longo do evento. O FEFOL é uma realização da Prefeitura Municipal de Olímpia, por meio da Secretaria de Cultura e Defesa do Folclore, com apoio de projetos de incentivo cultural e parceiros.


